Respondendo, desde 2004, ao processo judicial que se desenrola desde então, Gil R. não tentou fugir, como, aliás, a mídia sensacionalista insiste em denotar, mas procurava construir o seu futuro de maneira justa e correta. Santa Maria não era um refúgio, mas sim o lugar que escolhera para estudar e trabalhar (tentava a carreira de medicina e tinha, portanto, muitos estudos pela frente). Sim, Santa Maria é uma cidade próxima a dois outros países da América Latina, mas eram os alvos de Gil tão somente os estudos. Já se passaram quatro anos desde o ocorrido e este jovem procurava viver um dia após o outro. Fácil é apontar dedos e pré-julgar alguém que não se conhece ou que, simplesmente, tem uma vida completamente diferente da nossa. Analisar, porém, a situação racionalmente e de maneira idônea é algo que já não se consegue mais na maioria dos meios de comunicação e, acredito também, entre a grande massa guiada por tais veículos. Cidadãos comuns que não conseguem pensar por si mesmos e, que até domingo passado, mal conheciam a história de Gil R.. Seres humanos médios, emburrecidos por uma mídia que pensa, fala, age, raciocina e decide por eles.
“O preconceito é a arma de quem não consegue racionar.” Marthin Luther King Jr.
E na vida dele alguém, por um acaso, parou para pensar? Em seus familiares? Em sua mãe? Pois sim, ele tem mãe, irmão e avó que o apóiam. Pararam também para pensar em seus anseios? Em sua visão de todos os acontecimentos? E a sua versão, alguém se interessou em conhecer?
A verdade, caríssimos, é que falar é fácil, mas agir e ter a decência de seguir a vida como um verdadeiro cristão, isso sim, é complicado. Uns dizem: ora, mas sou temente a Deus, ou sigo os seus mandamentos. E na prática, fazem isso realmente? E não foi o próprio Jesus que pediu a Pedro que não brandisse a espada em sua defesa quando de sua captura por legionários romanos? Disse, Jesus, a célebre frase: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido.” Onde está tal ensinamento do filho de Deus entre as pessoas que se dizem tão tementes a Ele!? E ainda, como julgar algo/alguém sem o conhecer? (E, ao contrário do que se possa pensar: Não, não sou cristã e/ou religiosa de qualquer crença, pois saibam!)
Hoje, então, na história da humanidade, não se precisa mais analisar os autos de um processo, ou mesmo conhecer a pessoa para discernir seu caráter? Ora, é bem verdade que o Brasil está cheio de juristas! Quer dizer, então, que um magistrado que ficou anos de sua vida dedicando-se aos estudos e análise de leis, que estudou em uma Escola de Juízes pode ser comparado a tantos outros brasileiros que supõem saber fazer algo que se leva anos ou, quiçá, décadas para aprender?
P.S.: Mantive o nome, sim.
P.P.S.: Na foto, arte de Bansky, Polônia - 2007.






























